| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Jornal Mojubá Efón
Desde: 29/12/2009      Publicadas: 60      Atualização: 14/09/2013

Capa |  Culto a Xapanan em Ekiti -Efón  |  Festa de Exu Tiriri  |  Ile Omi Asé  |  Inauguração Asé Lança de Prata  |  Iya Mi Osorongá  |  Noticias do candomblé  |  Noticias do mundo do candomblé  |  Odú Etá de Walace Ty Jàgún  |  Odùdùwá  |  Ori  |  Oriki  |  Orisá de Efón  |  Orisá Ogun em Ekiti  |  Orisá Okó  |  Quem sou eu?!


 Ori

  26/11/2011
  0 comentário(s)


Orí - O Orixá mais Importante

Neste essa paço falaremos um pouco so bre
Ori

Orí - O Orixá mais Importante

"Ko sí Òòsà tí i dá´ni gbè léhìn Orí eni"
"Nenhum Orixá abençoa uma pessoa antes de seu Orí permiti"



Este oriki (verso sagrado) não deixa dúvida sobre a suprema importância desta divindade
pessoal, inclusive, acima dos outros Orixás! Orí porém, continua sendo um enigma no
conhecimento popular do culto.
Traduzindo da língüa Iorubana, Orí significa cabeça, entretanto quando se busca aprofundar algo
mais os devotos hesitam, titubeiam, emudecem" Se Orí é a mais importante de todas as
divindades, pq este desconhecimento? Principalmente de uma divindade q reside justamente
dentro de nós? Pq, de todos os Orixás, Orí é o mais misterioso?
Para responder a esta questao temos de voltar às origens do nosso culto em África. No
continente africano o culto, assim como no Candomblé, é iniciático e hermético. Portanto os
segredos, fundamentos e a sabedoria do culto está para apenas ser desvelado por seus iniciados
ao decorrer de sua carreira religiosa e/ou sacerdotal. Desta forma, os segredos mais profundos e
sérios do culto ficavam restritos aos mais altos sacerdotes. Permitindo ao público e aos mais
novos iniciados apenas pequenas centelhas desta sabedoria. Para se atingir os mais profundos
conhecimentos e sabedoria eram necessários muitos anos de profunda dedicaçao e
disponibilidade de transcender sempre os próprios limites. Contudo, atualmente, vive-se na cultura
das árvores impacientes q se dedicam a crescer tao apressadamente em detrimento do
aprofundamento de suas raízes, e assim, estes profundos conhecimentos foram ficando restritos a
um número cada vez menor de sacerdotes. Isto explica o desconhecimento geral deste supremo
Orixá! Q é o ponto central do culto afro e afro-brasileiro! Dele depende a nossa existência, nosso
sucesso, fracasso, saúde, doença, riqueza, pobreza, plenitude, felicidade. Sem a aprovaçao de Orí
nenhum Orixá pode fazer nada pelo seu devoto. Por isso, para nós, Orí é o Orixá mais importante! É
o único q nos acompanha na viagem dos mares sem retorno, como descrito no Itan de Ògúndá
Méjì.

Voltando às Origens.

No princípio dos tempos da Criaçao, Odudua havia criado a Terra, Oxalá havia criado o homem,
seus braços, pernas, seu corpo, Olórúm lhe insuflou o èmí(respiraçao divina), a vida. Mas Oxalá
havia se esquecido da cabeça..Oxalá não fez a cabeça do Homem" Entao Olórúm pediu à Àjàlà, o
oleiro divino, para confeccioná-la. Àjàlà quando foi confeccionar Orí pediu a ajuda de Odú, e assim
todos os Odús ajudaram à Àjàlà a confeccionar Orí. E assim nasceu Orí.
Orí é composto da matéria divina dos Odús, misturados em quantidade e organizados segundo a
sabedoria de Àjàlà a pedido de Olórúm. Do material (òkè ìpònrí) q Àjàlà utiliza para confeccionar Orí
se constitui èwò (tabu) para quem possuir esse Orí. E assim se determina as interdiçoes
alimentares dos indivíduos, pois, comer do próprio material de q foi constituído, caracteriza ofensa
séria à matriz da qual foi criado.
Todo o homem quando vai para o Aiyé, invariavelmente, deve passar na oficina de Àjàlà e
escolher o seu Orí. Esta escolha se chama Kàdárà, oportunidade e circunstância, e ao fazê-la, está
determinando sua natureza e destino.
Este momento ocorre da seguinte forma: A alma se ajoelha(posiçao fetal) diante dos pés de
Olórúm (O Criador) e entao lhe faz um pedido " Àkùnlé yàn " pedido esse q estará relacionando ao
seu desejo de crescimento moral e espiritual. Entao Olórúm lhe fixa o destino " Àyàn mó Ipín - q Orí
deverá seguir, em q geralmente atende aos desejos do próprio Olórúm e e às necessidades das
restituiçoes q Orí deve cumprir. E entao recebe " Àkùn légbà " as circunstâncias q possibilitarao os
acontecimentos, geralmente ligado às questoes de tempo/espaço, meio e todo o entorno
necessário ao melhor cumprimento do destino.
Neste momento a alma recebe os seus èwós (tabus), interdiçoes alimentares, de vestuário, de
açao, etc.
Afirma compromisso com o seu ancestral e tutor espiritual (Orixá). Afirma compromisso com o
Bàbá Egún (Pai espírito) responsável pelo ìpònrí ancestral terreno q formou o seu corpo material, e
q zela pelo desenvolvimento da família a q Orí fará parte. Todos os contratos são firmados e/ou
reafirmados diante de Olórúm e de Orúnmilá, e à medida q o são o destino se lhe vai fixando.
Entao Orí se dirige à Àkàsò (a fronteira entre Orúm-plano espiritual, e Aiyé-plano físico) e pede
passagem à Oníbodè (o porteiro), q lhe interrogará o q fará no Aiyé, Orí lhe contará e mais uma vez
se fixará nele o seu destino.

ORÍ - A fisiologia divina.

Orí entao descerá e ocupará o seu lugar no Orí do corpo criado, através da chamada "moleira",
abertura no crânio do bebê q irá se fechando conforme se desenvolve ao longo dos anos, onde se
dá a "armadilha para Orí", uma vez encerrado lá Orí somente voltará a se libertar do corpo na última
expiraçao, pela boca.
A princípio Orí assentar-se-á no cérebro (opolo) daquele corpo, onde comandará Orí Òde (cabeça
externa).

ORÍ ÒDE " a cabeça externa caracteriza-se pela cabeça física (crânio, cérebro, sistema nervoso
central, olhos, ouvidos, etc) e também pela personalidade e intelecto q resultará da interaçao
daquele corpo com Orí Innú (cabeça interna), a cultura local onde se desenvolverá o indivíduo, e o
aprendizado q receberá desde o seu nascimento. Ou seja, Orí òde é, além da cabeça física, a
nossa pessoa como nós a conhecemos e como os outros a conhecem. É o mecanismo criado por
Orí innú para lidar com o mundo exterior. Orí Òde é o nosso "eu exterior".
ORÍ INNÚ - a cabeça interna, é a nossa personalidade divina, ou nosso "eu verdadeiro", ou nosso
"eu supremo ou superior". Em resumo, nossa alma.
Abaixo de Orí innú reside Elénìnìí (o opositor de Orí), no cerebelo (ipakó), responsável pelo
esquecimento de Orí de sua missao, aquele q o vem atrapalhar a realizar, cumprir sua missao para
com Olórúm e a Criaçao, conforme descrito no Itan do Odú Irosún Méjì. Este, constitui o último nó
para a transcendência de Orí innú, e o cumprimento de sua missao original.
Ainda existe Ipín jeun " o estômago, e obo ati oko " os órgaos sexuais, q são os outros nós q Orí
innú deve superar: medo, desejo, ambiçao, vaidade, ciúme, ira, egoísmo, etc"

Orín innú ainda se divide em:

Orí aperé: o caminho predestinado, fenômeno narrado acima. O destino do indivíduo vem escrito
em sua cabeça. "sua cabeça, sua sentença!"
Aparí innú: o caráter (ìwà), a personalidade divina. Q é a essência de Orí innú, a alma, e sua missao
original. É através do desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, honesto, puro, bom) q Orí chegará
à sua transcendência última! Enfim, como descreve o Odú Ogbè-Ègùndá: "Ìwà nikàn l´ó sòro o"
" Caráter é tudo o q se precisa".
Ìwà Pèlé (caráter reto) é o q conduzirá Orí innú até o Òrun rere (plano espiritual dos Orixás), em
caráter definitivo.

Assim sabemos q nossa divindade pessoal é Orí innú ( cabeça interna-alma), responsável pelo
nosso destino e felicidade. Q o nosso Orixá (orí- o primeiro) é o tutor espiritual de nosso Orí innú,
mas q só poderá ajudar-nos se Orí o permitir. Q em nosso Orí innú reside o nosso Odú (destino) e
somente através de Orí e Odú podemos transmutar o nosso destino, e assegurar o cumprimento
da missao confiada por Olodumaré. Q devemos nos resguardar de Elénìnìí, o inimigo de nossa
missao e alma, aquele q pode nos trazer sofrimentos. E q nossa verdadeira essência, q devemos
buscar, reside em Orí innú (cabeça interna-alma) e não em nosso Orí òde (cabeça externa-
personalidade) q é tao somente o veículo de Orí innú aqui no Aiyé.
E, o mais importante: a missao maior de Orí innú, à qual cabe ao nosso Orixá ajudar-nos, é o
desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, bom), nosso passaporte para o encontro definitivo com
Olórun!!

Orí o!!
Ire o!


Leia mais: http://www.revistasextosentido.net/news/ori-o-orixa-mais-importante/


  Mais notícias da seção Equipe Jornal Mojubá Efon no caderno Ori



Capa |  Culto a Xapanan em Ekiti -Efón  |  Festa de Exu Tiriri  |  Ile Omi Asé  |  Inauguração Asé Lança de Prata  |  Iya Mi Osorongá  |  Noticias do candomblé  |  Noticias do mundo do candomblé  |  Odú Etá de Walace Ty Jàgún  |  Odùdùwá  |  Ori  |  Oriki  |  Orisá de Efón  |  Orisá Ogun em Ekiti  |  Orisá Okó  |  Quem sou eu?!
Busca em

  
60 Notícias