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Jornal Mojubá Efón
Desde: 29/12/2009      Publicadas: 60      Atualização: 14/09/2013

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 Noticias do mundo do candomblé

  27/12/2011
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Evangélico e adepto do candomblé fecham aliança em Salvador

Evangélico e adepto do candomblé fecham
aliança em Salvador
João Henrique Carneiro tenta a reeleição e
terá como vice Edvaldo Brito para minimizar
rixa com terreiros

João Henrique Carneiro é branco, de uma conservadora família de políticos de Feira de Santana (a
110 km da capital baiana) e fiel adepto da tradicional Igreja Batista da Graça, um bairro da cidade.
Ele tem evangélicos de vários matizes entre os assessores mais próximos, mantém uma bíblia
sobre a mesa do gabinete e costuma fazer pronunciamentos em tons emocionais, às vezes
messiânicos. Veja também: DEM oficializa ACM Neto em Salvador e reacende 'carlismo'
Calendário eleitoral das eleições deste ano

Edvaldo Brito é negro, professor de Direito Constitucional e Tributário e ligado à religião de seus
ancestrais, o candomblé. Freqüenta, com a esposa, o famoso Gantois e consagrou a cabeça ao
orixá Ogum, entidade do ferro e das demandas, no terreiro de nação keto (que tem raízes iorubás
nigerianas) de Mãe Bida, localizado na cidade de Muritiba, recôncavo baiano, onde nasceu há 70
anos.

João Henrique é candidato a reeleição à prefeitura de Salvador, pelo PMDB, e Edvaldo Brito, do PTB,
é seu vice. O que poderia ser um belo exemplo da mistura étnica e religiosa da Bahia, está
marcado por circunstâncias eleitorais e por fatos que antecederam a formação da chapa, em maio
passado.

No dia 27 de fevereiro, uma quarta-feira (no candomblé, dia de Iansã, a Oyá, senhora dos ventos e
tempestades), por determinação de uma superintendência municipal, funcionários da prefeitura
destruíram o terreiro de nação angola Oiá Onipô Neto, há quase duas décadas assentado numa
área residencial da Avenida Jorge Amado, no bairro da Boca do Rio, sob alegação de irregularidade
legais fundiárias. Paredes foram demolidas e objetos de culto, tidos como sagrados, violados.

A ação violenta teve ampla e negativa repercussão na cidade, gerou uma crise na equipe do prefeito
e mobilizou protestos de entidades do movimento negro e de comunidades ligadas ao culto, que
consideraram o fato uma "ação racista e de intolerância religiosa explícita".

Acuado, com o 'povo de santo' e os militantes às portas do gabinete quase todos os dias, o prefeito
disse que não teve prévio conhecimento da operação realizada e destituiu do cargo a
superintendente e secretária de Planejamento Kátia Carmello, que acumulava as funções. A
secretária, porém, continua à frente do Planejamento.
  Autor:   Jagunsi





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